Nesse artigo abordaremos como funcionam as travas de alta com CALL (opções de compra) e também as travas de alta com PUT (opções de venda).

O mercado financeiro é apaixonante pois possibilita chegar ao mesmo objetivo (fazer nosso dinheiro render) por inúmeros caminhos, que podem ser absolutamente distintos.

Aliás, os derivativos, especificamente as opções, são uma forma particularmente interessante de investimento.

Isso porque possibilitam operações com grande assimetria de risco.

Ou seja, com perdas conhecidas e limitadas e possibilidade de ganhos muitas vezes superiores ao risco empregado.

O que é a trava de alta

Dentre as inúmeras operações estruturadas que podemos fazer com opções, a Trava de Alta é a operação mais simples e é também a minha preferida.

Elas são chamadas de operações estruturadas pois são formadas por mais de um instrumento de investimento na mesma operação.

Portanto, no caso das travas de alta são utilizados 2 instrumentos.

Para facilitar o entendimento, exemplos serão dados considerando o dia do vencimento das opções.

Isso pois antes do vencimento as opções tem uma parte do seu preço formado por expectativas de mercado o que altera as dinâmicas de lucro/prejuízo.

Primeiro entenderemos a operação e em outro momento entenderemos a dinâmica dos preços antes do vencimento.

Por que o nome Trava de Alta?

A operação é chamada de Trava de Alta pois:

  • Gera lucros se o preço do ativo objeto aumenta , ou seja, ganha na Alta do preço do ativo
  • Tem um lucro máximo limitado, ou seja, travado

Ou seja, a trava de alta é uma operação que deve ser montada quando acreditamos que o preço do ativo objeto vai subir.

Analogamente, Além de ter lucro máximo travado a perda máxima também é limitada. Nas travas de alta com CALL a perda máxima é o custo. Em outras palavras, o valor pago na  montagem da operação.

Nas travas de alta com PUT, a perda máxima é limitada à diferença entre os strikes das 2 opções menos o valor recebido na montagem.

Ou seja, se recebemos R$ 0,70 na montagem de uma trava com diferença entre os strikes de R$1,00, o risco máximo será de R$ 0,30.

Mas por que travar lucros?

O mercado tem uma verdade absoluta, a possibilidade de lucros sempre será proporcional ao nível de risco. Quanto maior o risco maior possibilidade de lucros, quanto menor risco menor possibilidade de lucros.

As travas, como veremos mais à frente, custam menos do que comprar uma opção sozinha, "à seco".

Dessa forma, possibilitam a diminuição da exposição ao risco e, portanto, diminuindo a possibilidade de lucros.

As opções a seco, são muitíssimo voláteis e por isso podem gerar lucros muito rapidamente mas os prejuízos também podem vir muito rapidamente. Ao montarmos operações travadas, controlamos grande parte dessa volatilidade.

Entendendo a venda de uma opção

Antes de falarmos sobre as travas de alta, existe um importante conceito a ser assimilado sobre as opções. Esse conceito é a operação de venda de uma opção.

Voltando rapidamente ao básico, opções são contratos de direitos e obrigações. Quem compra o contrato, ou seja, paga por ele, adquire um direito.

No caso de opções de ações o direito é de comprar a ação objeto do contrato por um determinado preço (strike) até uma determinada data (vencimento).

Para o comprador ter um direito é necessário ter uma contraparte vendedora, que recebe por isso e assume uma obrigação.

No caso das ações, a obrigação de vender a ação objeto pelo valor acordado (strike) até a data acordada (vencimento).

Sob a ótica do vendedor, que recebeu um prêmio de risco pela venda do contrato, é desejável que o preço do ativo objeto do contrato se mantenha abaixo do valor do strike até a data de vencimento.

Dessa forma, ele não será exercido pelo comprador e assim ficará com todo o prêmio recebido.

Na prática

Para deixar tudo mais prático: O comprador de uma opção de compra (CALL) ganha se o preço do ativo objeto sobe.

Ele ganha pois ele pode vender sua opção por um valor maior do que pagou, auferindo lucro.

Porém, perde no máximo o valor pago pela opção caso o preço do ativo fique abaixo do strike até o vencimento.

Já o vendedor de uma CALL ganha se o preço ativo objeto cai.

Isso acontece pois ele pode recomprar o contrato vendido por um valor menor do que ele recebeu ou fica com o valor recebido no vencimento.

Porém, o vendedor pode ter prejuízos ilimitados se vender a CALL sem ter o ativo para entregar e o preço do ativo começar a subir muito. Esse risco existe pois terá que comprar o ativo a preço de mercado e entregar o ativo pelo preço do strike.

Entendendo a operação

Como montar travas de alta com CALL:

A trava de alta com CALL's é formada através da compra de uma opção mais ITM ( In The Money / Dentro do dinheiro ) ao mesmo tempo que fazemos a venda de uma opção mais OTM ( Out The Money / Fora do Dinheiro ).

Para facilitar o entendimento da operação com PUT's que veremos à frente, toda trava de alta é formada pela compra de uma opção de strike menor e a venda de uma opção de strike maior.

Para aproximar o leitor dos termos utilizados pelo mercado na prática, em operações estruturadas, chamamos cada parte da operação de pernas. A trava de alta, portanto é formada por 2 pernas.

Dinâmica

No momento já sabemos que a trava de alta, gera lucros com a alta dos preços. Sabemos também que é formada por duas pernas, uma perna comprada e uma perna vendida.

Também já entendemos como funciona a venda das opções.

Para facilitar o entendimento vamos usar um exemplo prático, uma trava de alta com opções de compra da Petrobras (PETR4):

Exemplo:

. PETR4 está sendo negociada atualmente a R$ 18,89
. COMPRAR: PETRF200 (Opção de compra com vencimento em junho e strike 20,05)
. Pagamos: R$ 0,80
. VENDER: PETRF210 (Opção de compra com vencimento em junho e strike 21,05)
. Recebemos R$ 0,40

Como compramos uma opção com strike de R$ 20,00 iremos ter lucro se no vencimento a PETR4 estiver com preços acima de R$ 20,05 + R$ 0,80 (custo da opção).

Ou seja, R$ 20,85, porém como vendemos uma opção com strike de R$ 21,05 e recebemos R$ 0,40 por essa venda.

Nesse caso, perderemos nessa opção caso a PETR4 esteja sendo negociada com preços acima de R$ 21,05 + R$ 0,40.

Ou seja, R$ 21,45 no vencimento.

Abaixo ilustramos graficamente os resultados das pernas individualmente:

PETRF200 - COMPRADA

Payoff da call comprada na trava de alta
Gráfico de payoff CALL PETRF200 Comprada

No gráfico fica claro o comportamento da CALL comprada, temos prejuízo total enquanto o preço fica abaixo de R$ 20,05.

O prejuízo vai diminuindo até virar lucro quando o preço do ativo sobe acima de R$ 20,85.

PETRF210 - VENDIDA

Payoff da call vendida na trava de alta
Gráfico de payoff CALL PETRF210 Vendida

Já no gráfico da CALL vendida o comportamento é oposto, o lucro é máximo enquanto o ativo está com preços abaixo de R$ 21,05 e começa a diminuir até virar prejuízo se o ativo estiver sendo negociado acima de R$ 21,45 no vencimento.

O objetivo de apresentar os 2 gráficos de forma separada é demonstrar a dinâmica de cada perna individualmente e facilitar o entendimento quando juntamos as 2 partes.

Agora vamos unir os 2 gráficos e teremos o seguinte gráfico resultante:

Payoff da trava de alta
Gráfico de payoff da trava de alta com CALL PETRF200/PETRF210

Temos portanto duas forças opostas agindo sobre o mesmo gráfico. De um lado ganhos ilimitados acima de determinado valor, de outro, perdas ilimitadas acima de determinado valor.

Como pagamos R$ 0,80 e recebemos R$ 0,40, o custo total da trava de alta é de R$ 0,40, resultando em lucro com o ativo sendo negociado a preços acima de R$ 20,45 ( Strike da CALL + Valor gasto na operação).

Porém, a CALL vendida passa a dar prejuízo se o preço do ativo estiver acima de R$ 21,05 anulando os ganhos da CALL comprada acima desse valor.

Assim, travando o lucro máximo da operação que nesse exemplo é de R$ 0,60 (Strike da CALL vendida - Strike da CALL comprada + Custo da operação).

Como montar travas de alta com PUT:

A trava de alta com PUT's é formada através da compra de uma opção mais OTM ( Out the Money / Fora do Dinheiro ) ao mesmo tempo que fazemos a venda de uma opção mais ITM ( In the Money / Dentro do dinheiro ).

Lembrando que o conceito de OTM e ITM em PUT é o inverso das CALL's.

Como dissemos anteriormente para facilitar o conceito, a trava será uma trava de alta se compramos uma opção com um strike e vendemos uma opção com strike maior do que o da opção comprada.

Usando esse conceito, sabemos que a trava é de alta apenas olhando os strikes independente de ser com CALL ou PUT.

Dinâmica

A principal diferença ao montar uma trava de alta com PUT's é que é uma operação de crédito.

Ou seja, recebemos mais pela perna vendida do que pagamos pela perna comprada, resultando em um crédito, ou seja, entra dinheiro na conta ao montar a operação.

Voltando novamente ao básico, a PUT dá ao comprador da opção o direito de VENDER o ativo pelo preço do strike no vencimento e ao vendedor da opção a obrigração de COMPRAR o ativo pelo preço do strike no vencimento.

Assim o comprador de uma PUT deseja que o preço do ativo diminua para a operação dar lucro enquanto o vendedor deseja que o preço do ativo aumente e fique acima do strike no vencimento para ficar como prêmio sem ser exercido.

E então vem a pergunta inevitável, se as PUT's são opções que ganham com a queda dos preços como pode ser usada para montar uma trava de alta que ganha com a alta dos preços?

Na trava de alta com PUT's, como já vimos, recebemos um prêmio ao montar a operação e caso o preço do ativo suba acima dos strikes das duas pernas, as duas opções irão vencer e não "darão exercício".

Com isso, perdendo totalmente seu valor, "virando pó", e assim ficamos com o prêmio recebido.

Sendo assim, continua sendo uma trava pois tem lucro máximo travado e de alta pois ganhamos com a alta dos preços.

Vamos usar um exemplo prático, uma trava de alta com opções de venda da Petrobras (PETR4):

Exemplo:

. PETR4 está sendo negociada atualmente a R$ 18,89
. COMPRAR: PETRR200 ( Opção de venda com vencimento em Junho e strike 20,05 )
. Pagamos: R$ 1,00
. VENDER: PETRR210 ( Opção de venda com vencimento em Junho e strike 21,05 )
. Recebemos R$ 1,70

Lembrando, as PUT's valorizam com a queda dos preços. Como vendemos uma PUT com strike de R$ 21,05 passamos a ter a obrigação de comprar o ativo por R$ 21,05 no vencimento caso o preço do ativo esteja abaixo desse valor.

Como PETR4 está atualmente com preço de 18,89, a opção PETRR210 já está ITM (In the Money / Dentro do Dinheiro) e se o vencimento fosse hoje já daria exercício.

Ao mesmo tempo compramos uma PUT com strike de R$ 20,05 e portanto passamos a ter o direito de vender o ativo caso seu preço seja menor que R$ 20,05 no vencimento.

Abaixo ilustramos graficamente os resultados das pernas individualmente:

PETRR200 - COMPRADA

Gráfico de payoff comprada trava de alta
Gráfico de payoff PETRR200 Comprada

Agora o comportamento da opção comprada se inverteu comparado com a operação com CALL's. Como pagamos R$ 1,00 pela opção temos prejuízo se o ativo fica com preços acima de R$ 20,05 e vai aumentando até virar lucro quando o ativo é negociado com preços abaixo de 19,05 (R$ 20,05 do strike - R$ 1,00 que foi o custo da opção).

PETRR210 - VENDIDA

Trava de alta payoff
Gráfico de payoff PETRR210 Vendida

Já no gráfico da PUT vendida o comportamento é oposto, o lucro é máximo enquanto o ativo está com preços acima de R$ 21,05 e começa a diminuir até virar prejuízo se o ativo estiver sendo negociado abaixo de R$ 19,35 (R$ 21,05 do strike - R$1,70 que foi recebido na venda) no vencimento.

Agora vamos unir os 2 gráficos e teremos o seguinte gráfico resultante:

Payoff da trava de alta com Put
Gráfico de payoff da trava de alta com PUT PETR200/PETRR210

Novamente temos duas forças opostas agindo sobre o mesmo gráfico. De um lado ganhos quase ilimitados abaixo de determinado valor, de outro, perdas quase ilimitadas abaixo de determinado valor.

Como pagamos R$ 1,00 e recebemos R$ 1,70, o crédito total da trava de alta é de R$ 0,70, resultando em lucro máximo com o ativo sendo negociado a preços acima de R$ 21,05.

Isso pois, nesse caso tanto a PUT comprada quanto a PUT vendida virariam pó, diminuindo os lucros abaixo de R$ 21,05 até R$ 20,35 ( R$ 21,05 strike da PUT vendida - R$ 0,70 do prêmio recebido) quando passamos a ter prejuízo até o preço de 20,05 que é o strike da PUT comprada.

PUT Margem

Sempre que fazemos a venda de uma opção, é necessário ter uma garantia para “cobrir” essa venda.

Essa garantia é necessária, pois estamos vendendo uma obrigação futura. Ademais, caso a opção entre na zona de exercício teremos que ter o dinheiro para “entregar” o compromisso assumido.

As travas de alta com CALL são montadas com a compra de uma CALL com strike menor e a venda de uma CALL com strike maior.

Ademais, a CALL de strike maior sempre terá valor maior ou igual ao valor da CALL de strike menor.

Dessa forma, a perna comprada serve como garantia para a perna vendida, pois podemos exercer nosso direito de compra do ativo para entregar para o comprador da CALL que vendemos.

Ao vender uma PUT assumimos a obrigação de comprar o ativo caso sejamos exercidos e por isso é necessário ter a garantia financeira para cobrir essa obrigação.

Assim como na trava de alta com CALL a trava de alta com PUT tem uma outra perna travando o prejuízo máximo da operação, porém, existe a possibilidade de apenas a PUT vendida entrar na zona de exercício.

Nesse caso, teremos apenas a obrigação da compra sem ter o direito da venda e por esse motivo a perna comprada não serve de garantia para a perna vendida.

Um caso na prática:

Nesse caso a corretora pode exigir uma margem de garantia para a operação que pode ser no pior caso, o valor do strike da PUT multiplicado pela quantidade de PUTs vendidas.

Para dar um exemplo prático, se montarmos 100 travas de alta com as PUT’s PETRR200 e PETRR210, como vendemos a PUT PETRR210, com strike de R$ 21,05, na pior hipótese a corretora pode pedir de margem o valor de R$ 2.105,00.

Portanto para montar travas ou outras operações que chamamos de vendidas, quando recebemos um crédito na montagem, será sempre necessário ter uma margem de garantia na corretora.

Como desmontar Travas de Alta?

Existem 2 possibilidades para o encerramento de uma operação de trava de alta, antes do vencimento e no vencimento.

Antes do vencimento:

Antes do vencimento é possível desmontar a operação a qualquer momento, bastando fazer a operação inversa à montagem, ou seja, VENDER a opção que havíamos comprado e COMPRAR a opção que havíamos vendido.

Portanto, o recomendado é você fazer o encerramento sempre antes do vencimento para evitar custos relacionados ao exercício das opções que veremos à frente.

No exemplo que utilizamos anteriormente, quando montamos a trava de alta com CALL, na montagem, compramos PETRF200 e vendemos PETRF210.

Para encerrar a operação, basta entrar no home broker e vender PETRF200 e comprar a PETRF210, encerrando assim totalmente a operação.

Podemos desmontar totalmente ou parcialmente a operação. Além disso, podemos desmontar em quantidades que sejam múltiplos de 100 opções. Esse é a quantidade mínima que podemos negociar no Brasil e podemos encerrar a operação estando com lucro ou prejuízo.

No vencimento:

O ideal é sempre desmontar as operações com opções antes do vencimento, pois no dia do vencimento, não é permitido negociar as opções e caso a operação esteja na zona de lucro, a única forma de garantir o lucro é fazendo o exercício das opções, porém, caso isso não tenha ocorrido, podemos fazer o exercício das opções.

O problema de você fazer o exercício das opções é que existem custos relacionados que costumam ser bem altos e que podem levar grande parte do lucro da operação.

Quando montar?

Você pode montar as travas de alta tanto com CALL quanto com PUT quando acredita na alta dos preços do ativo objeto.

Nos dois casos teremos lucro máximo apenas se o ativo objeto estiver sendo negociado com preços acima do strike da opção vendida.

Você pode simular essa e muitas outras estratégias no OpLab.

Trava de Alta x Trava de Baixa

A principal diferença entre as travas de alta e as travas de baixa é que as travas de baixa geram lucro quando o ativo objeto passa a ser negociado com preços mais baixos, com o mercado em queda.

Você também pode montar elas com CALL ou PUT, e elas tem estrutura muito parecida com as travas de alta.

Conclusão

A trava de alta é a operação estruturada com opções mais simples que podemos montar. É uma operação que aposta na alta dos preços do ativo e é formada por duas pernas, uma comprada e outra vendida sendo sempre o strike da opção comprada menor que o strike da opção vendida. Vale lembrar que você pode montar a trava de alta com CALL ou com PUT e tem risco máximo limitado e ganho máximo também limitado.

E você? Já fez essa operação? Ficou com alguma dúvida? Deixe suas perguntas, dúvidas ou conte sua história nos comentários.

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