Se você está no mercado financeiro há algum tempo, principalmente no mercado de opções, você já deve ter ouvido falar de Nassim Taleb e do conceito de antifragilidade.

Se você é novo nesse mercado e ainda não conhece essa linha de pensamento, esse artigo é para você!

Portanto prepare-se, pois nesse artigo você vai aprender a se beneficiar da aleatoriedade, do caos e da incerteza.

Quem é Nassim Taleb?

Nassim Nicholas Taleb é um escritor, investidor, ensaísta, filósofo e analista de risco Líbano-americano.

Nassim Nicholas Taleb, ou simplesmente Nassim Taleb, é conhecido no mercado financeiro por suas ideias controversas sobre aleatoriedade, incerteza e antifragilidade.

Educação e carreira:

Taleb estudou em um colégio francês em Beirute, e mais tarde se formou na Universidade de Paris. Sua carreira no mercado financeiro é bem sólida, tendo passado por cargos importantes em grandes instituições como Credit Suisse, BNP Paribas, First Boston, entre outras.

Além da passagem por grandes instituições financeiras, Nassim também fundou o hedge fund Empirica Capital, em 1999.

Taleb foi um dos investidores que estava atento aos problemas de excessos no mercado imobiliário e no sistema bancário americano nos anos 2000, e alertou sobre as fragilidades crescentes que poderiam causar um colapso generalizado.

Inclusive, ele foi um dos que lucrou com a crise financeira de 2008. Além dessa crise, ele também lucrou com o crash da bolsa de 1987, e posteriormente com a crise da bolha da internet (a bolha das pontocom).

Livros:

Em 2006 ele fez uma transição de carreira, saindo do mercado financeiro para o meio acadêmico, onde mergulhou fundo na matemática, estatística e filosofia. Como escritor, seus livros se tornaram best-sellers e verdadeiros mantras para investidores. Os livros são:

. “Iludidos pelo acaso” (2001)
. “A lógica do cisne negro” (2007)
. “A cama de procusto” (2010)
. “Antifrágil” (2012)
. “Arriscando a própria pele” (2018)

No artigo de hoje vamos focar na sua teoria da antifragilidade.

Antifragilidade

Afinal, o que é ser antifrágil? Como desenvolver a antifragilidade?

Em seu livro “Antifrágil”, Nassim Taleb desvenda esse conceito, por ele inventado.

Para entender melhor o que é a antifragilidade, precisamos começar explicando o contrário dela, ou seja, a fragilidade. Para isso Nassim usa o sistema da tríade:

No sistema da Tríade, o autor nos mostra 3 cenários. Temos de um lado o frágil, no centro o robusto, e do outro lado o antifrágil. Essa distinção é importante pois a maioria das pessoas pensam que o contrário de “frágil” é o robusto. Mas veremos que não é bem assim.

Frágil:

Algo frágil é algo que se quebra ou se prejudica com o caos, estresse ou incerteza.
No livro, Taleb usa muitos exemplos da História antiga e da mitologia. Um exemplo que ele usa para descrever a fragilidade é a história da espada de Dâmocles.

Nessa história, temos dois protagonistas: o rei tirano Dionísio, e Dâmocles, que era membro da corte do rei. Dionísio oferece a Dâmocles que eles troquem de lugar por um dia, de maneira que Dâmocles pudesse aproveitar todos os benefícios de ser rei.

Porém, Dionísio ordenou que enquanto Dâmocles estivesse comendo, uma espada ficasse pendurada acima de sua cabeça, apenas por um fio de crina de cavalo.

Nessa situação, portanto, Dâmocles se encontrou numa posição frágil, onde qualquer estresse no fio da crina poderia acabar com sua vida.

Trazendo a fragilidade para algo mais simples, pense numa taça de cristal. Uma taça de cristal é tão frágil que qualquer coisinha pode quebrá-la.

Ademais, pense num item delicado que você quer enviar pelo correio ou despachar numa bagagem. A primeira coisa que você fará é colar um adesivo “FRÁGIL” para garantir que o pacote seja manuseado com cuidado.

Robusto:

No livro, Nassim explica o conceito de robustez com a analogia da Fênix, que renasce das próprias cinzas. Podemos também pensar numa pedra, como símbolo de algo robusto. Se você jogar uma pedra no chão, é bem provável que nada aconteça, pois a pedra tem uma característica robusta, sólida.

Antifrágil:

Faça um teste: pergunte para algum amigo ou familiar, qual seria o contrário de “frágil”. É bem provável que eles te respondam algo como “Forte”, ou “Robusto”. Porém, como vimos, o robusto não é o contrário de frágil. Ele está, vamos dizer, na metade do caminho.

O contrário de algo frágil, segundo Nassim Taleb, é algo antifrágil. Ou seja, se o frágil tem pavor ao caos e a incerteza, o antifrágil ama o caos e a incerteza.

Consequentemente, algo que é antifrágil se beneficia do caos, da incerteza e da aleatoriedade. No livro, Taleb usa a criatura mitológica da Hidra para descrever a antifragilidade.

Quanto mais alguém tenta cortar as cabeças da Hidra, mais cabeças nascem. Ou seja, nessa analogia, quanto mais caos e estresse a Hidra testemunha, mais ela se beneficia e mais ela se fortalece.

Enxergue da seguinte forma para que fique mais claro:
Frágil = -1
Robusto = 0
Antifrágil = +1

Levando esses conceitos ao mundo e ao mercado financeiro

Você deve estar se perguntando o que toda essa história de bestas mitológicas tem a ver com o mercado financeiro. Calma, vamos chegar lá!

Na verdade, acontece que muitos dos estragos que vemos no mercado financeiro e no mundo acontecem pois as pessoas, instituições e governos não entendem o conceito de antifragilidade.

Muitas pessoas acham que o mundo é linear, e que ele segue padrões que sempre funcionam e sempre irão funcionar. As pessoas tendem a enxergar o mundo e a economia como uma máquina de lavar, algo mecânico.

Para começar, Taleb nos mostra que o mundo não é linear. O mundo real é dinâmico, e enxergá-lo de outra forma é ter uma visão fragilista. No mundo real não temos como nos basear em padrões, pensando que eles funcionam e sempre funcionarão da mesma maneira.

O mundo real é o mundo do empreendedorismo, onde a incerteza reina. Assim, nesse cenário vemos que quem é fragilista tende a ficar pelo caminho.

A fragilidade dos bancos americanos

Se pensarmos no sistema bancário, embora ele esteja muito mais capitalizado hoje do que em 2008, veremos que ainda assim ele é bem frágil, por diversas razões.

Uma delas é que os bancos se financiam com passivos de curto prazo (depósitos à vista) e criam ativos de longo prazo (empréstimos para hipotecas de 30 anos). Isso se chama “Maturity transformation”, ou transformação de maturidade.

E porque isso cria fragilidade? Bem, vamos refletir. Se todo mundo quiser sacar o seu dinheiro (depósitos à vista) ao mesmo tempo, o que aconteceria? Provavelmente o banco irá quebrar, pois ele não tem dinheiro para pagar todo mundo.

Como funciona o banco:

O banco é um gestor de liquidez e gerador de crédito. Ele pega o seu dinheiro para emprestar para outras pessoas, com outros objetivos. O ativo de alguém é o passivo de outra pessoa. Portanto, o seu depósito à vista é seu ativo, e é passivo do banco.

O banco tem a obrigação de te pagar. Da mesma forma, se você pega um empréstimo no banco para financiar sua casa em 30 anos, esse financiamento é um passivo seu, e é um ativo do banco.

A Lei de Ouro do sistema bancário (Golden Rule of Banking) diz que ativos e passivos não devem ter suas datas de vencimento descasadas, pois isso pode causar problemas de iliquidez.

E como os bancos (principalmente americanos) fazem muito isso, eles ficam em situação de fragilidade. Em 2008 vimos bancos quebrando ou tendo que ser resgatados por problemas de iliquidez.

Outro motivo de fragilidade é que se um banco quebra, a probabilidade de um outro banco quebrar é bem grande, pois o pânico fará com que todos queiram resgatar seu dinheiro ao mesmo tempo. Isso se chama “bank run”, ou corrida aos bancos, e o efeito é devastador.

Além dessas fragilidades que fazem parte da natureza do sistema bancário, em 2008 os bancos também estavam extremamente alavancados, o que fragilizou ainda mais as instituições.

Esse risco sistêmico por exemplo não acontece com restaurantes. Se um restaurante quebra, não quer dizer que outro restaurante vai quebrar. Isso mostra então que o sistema de restaurantes é antifrágil.

Fragilidade no mercado financeiro

No mercado financeiro muitas pessoas perdem dinheiro por estarem exposta da forma errada.

Muitas pessoas se expõem do que Nassim Taleb chama de forma “côncava”, onde os ganhos são limitados e os riscos são ilimitados. Em outras palavras, você tem pouco a ganhar e muito a perder.

Isso é conhecido como o risco da ruína, onde qualquer intervenção de um agente estressor ou desordem pode destruir o seu patrimônio. Vimos isso na crise financeira de 2008 quando bancos, instituições e investidores pessoa física estavam extremamente alavancados.

No entanto, o uso de alavancagem pode fragilizar muito o patrimônio, pois as perdas podem se multiplicar muito rápido.

Antifragilidade no mercado financeiro

Alguns investidores, dentre eles Nassim Taleb, se expõem de uma forma convexa aos mercados. Ou seja, eles tem muito a ganhar e pouco a perder. Os riscos são conhecidos e limitados, e os ganhos são ilimitados, podendo ser exponenciais. Isso é chamado de assimetria de risco positiva.

E muito disso tem a ver com o mercado de opções. Quando você tem opcionalidade, você está exposto de uma forma que você coleciona direitos, e não obrigações, e com isso consegue se beneficiar de diversas situações.

Por exemplo, se um amigo te convida para um almoço e você diz “Conte comigo, estarei lá com certeza”, você tem agora uma obrigação, pois se comprometeu.

Em contrapartida, se você responde “Vou ver se consigo comparecer”, você tem o direito, mas não a obrigação, já que não se comprometeu.

Antifragilidade com Opções:

No mercado de opções você pode se beneficiar do caos e da incerteza se você tiver a exposição correta. Por exemplo, agora em março muita gente ganhou dinheiro enquanto o mercado caía, graças às exposições convexas.

Por exemplo, se você faz um seguro de carteira (compra de Put) em momentos onde tudo vai bem, geralmente o seguro vai custar muito barato. E se de fato o caos tomar conta do mercado, o valor do seguro vai aumentar junto com a volatilidade e você vai poder se beneficiar vendendo a Put por um preço alto.

Ou seja, quem fez seguro de carteira em fevereiro tinha pouco a perder (a pessoa sabia exatamente o preço barato que pagou pela Put), e muito a ganhar caso o mercado caísse (a Put poderia se valorizar muito).

No OpLab você consegue simular diversas estratégias em tempo real e ver quais as melhores estratégias para lucrar. Com o gráfico de payoff você consegue ver se você está exposto de maneira côncava ou convexa.

Formas de ter antifragilidade:

Outra forma de antifragilidade no mercado financeiro é você sempre ter uma reserva de oportunidade (caixa), em alocações de renda fixa com alta liquidez, baixo risco e baixo retorno (por exemplo Tesouro Direto Selic Pós-fixado).

Se você tem uma grande parcela do seu patrimônio em caixa, você pode aproveitar as quedas de mercado para comprar ações com bons descontos. Aliás, é isso que investidores como Warren Buffet fazem.

Ademais, mais uma forma de antifragilidade no mercado financeiro é ter um pouco do seu patrimônio em reserva de valor, como Ouro. O Ouro é um ativo que historicamente tende a se beneficiar do caos monetário (por exemplo, quando bancos centrais começam a expandir a oferta monetária).

O motivo dessa antifragilidade do Ouro é que esse metal precioso é escasso, portanto sua oferta é limitada e ele não pode ser inflacionado, ao contrário do papel-moeda (padrão monetário atual).

Como Nassim Taleb se expõe de maneira antifrágil aos mercados?

Talvez um dos pontos que mais chamem a atenção dos investidores no livro “Antifrágil” é a famosa estratégia Barbell.

Essa estratégia foi desenvolvida pelo próprio Nassim Taleb e tem seu nome por conta da associação com uma barra de peso. Veja a ilustração abaixo:

Estratégia Barbell de Nassim Taleb e antifragilidade

Como podemos ver, essa exposição da estratégia Barbell contém ativos nos dois extremos, porém nada no meio.

Com isso, Taleb recomenda ter 80% ou 90% do seu patrimônio na extremidade da esquerda, onde o retorno é baixo e o risco também (ouro, títulos públicos, caixa).

Os 20% ou 10% restantes ficam na outra extremidade onde o risco é maior porém o potencial de retorno pode ser exponencial (opções, startups, criptomoedas, etc.). Conforme mostramos, isso garante a assimetria de risco positiva.

O motivo de não haver nada no meio é que no meio o potencial de retorno é mediano e o risco é mediano, o que não garantiria a convexidade.

A tríade no OpLab

Que tal vermos agora exemplos reais e práticos de como a tríade funciona no mundo das Opções?

Vamos ver 3 estratégias criadas no OpLab. Uma com características frágeis, uma com características robustas e outra com características antifrágeis.

Vamos, então, olhar para a tela de payoff da plataforma numa estratégia de trava de calendário neutra construída de 3 formas diferentes.

Exposição frágil:

Nesse primeiro exemplo, vemos que a estratégia foi construída de uma maneira frágil e côncava, ou seja, você tem um ganho limitado e um potencial de perda ilimitado. Nesse tipo de exposição, um pequeno evento aleatório pode te tirar do jogo, e destruir seu patrimônio:

Tenha exposição antifrágil como Nassim Taleb.

Exposição robusta:

Agora, vamos ver essa mesma estratégia construída com uma exposição robusta. Ou seja, você tem um teto de ganho mas também um teto de perdas:

Nassim Taleb e antifragilidade

Exposição antifrágil:

Agora, vamos ver como seria essa trava de calendário neutra com uma exposição antifrágil e convexa, onde você tem pouco a perder e um potencial de ganho ilimitado:

Estratégia antifrágil de Nassim Taleb

Quando você está convexo e antifrágil, você fica tranquilo em qualquer cenário, e consegue se beneficiar dos agentes estressores.

Conclusão

Nos investimentos, assim como na vida, Nassim Taleb é conhecido por defender que a fragilidade destrói, enquanto a antifragilidade fortalece. Portanto, cabe a nós tomarmos as decisões corretas para estarmos do lado correto da tríade.

Então, se você quer que façamos um outro artigo abordando outros livros de Taleb, ou outros conceitos importantes dele, deixa aqui nos comentários!

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Até a próxima!




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