Qualquer pessoa que tenha prestado minimamente atenção à situação econômica em 2020 percebe que o mundo levou um tapa na cara durante a pandemia. A dívida global saiu do controle?

Principalmente no Brasil, a situação que vinha no bom caminho desde 2019 acabou indo por água abaixo. E é disso que vamos falar hoje.

Será então que a dívida global está fora de controle?

Resposta rápida à crise

Em março quando o mundo pareceu desabar com a crise da pandemia, as pessoas se sentiram mais tranquilas ao saberem que os Governos iam entrar com programas de estímulos.

Nos Estados-Unidos, a resposta inicial foi enviar cheques a todas as famílias americanas para manter a economia rodando.

Aqui no Brasil, o passo similar foi o corona-voucher.

Porém, qual é o problema que muita gente não percebe? Como disse Frédéric Bastiat quase 300 anos atrás: “Na economia existe o que se vê e o que não se vê”.

No caso, o que se viu foi o Governo ajudando as pessoas. Ótimo.
Mas o que não se viu (ou não se quer ver) é o peso dessas medidas sobre a situação fiscal e econômica dos países e do mundo.

Endividamento das nações

A dívida/PIB do Brasil vai passar de 100% em 2020. Isso é um retrocesso tremendo ao progresso que vinha sendo feito desde 2019 com a reforma da previdência, por exemplo.

Para se ter uma ideia, nesses programas de auxílio emergencial, toda a economia da reforma da previdência para os próximos 10 anos foi embora em alguns meses.

Os governos imprimiram trilhões e trilhões de reais e de dólares para colocar mais dinheiro em circulação para que as pessoas pudessem continuar sobrevivendo e gastando.

Os países no geral estão cada vez mais endividados, e o que acontece? Nada. Eles apenas rolam a dívida. E num mundo de juros baixos, quem se beneficia é quem é devedor. No caso, os governos.

O problema é o seguinte: os governos não podem continuar imprimindo dinheiro e inflando os balanços dos bancos centrais para sempre. Uma hora isso precisa parar.

Mas a pergunta é: Será que vai parar?

Os Estados-Unidos tem mais de 8 trilhões de dólares em US Treasuries vencendo em 2021, e essa dívida vai precisar de rolagem. Quem vai comprar?

É provável que vejamos o Federal Reserve (banco central americano) intervindo cada vez mais e comprando esses títulos. O intervencionismo cria cada vez mais problemas.

Inflação

Inicialmente nas primeiras semanas da crise da pandemia, muito se falou sobre inflação. Você ouvia por aí muitos economistas dizendo que não haveria inflação, mesmo com todos os programas de estímulo, pois a demanda havia sido brutalmente abatida.

É claro que isso tinha um potencial inflacionário imenso mesmo assim.

De fato, no início não havia mais demanda. Porém, as medidas de confinamento obviamente não iam durar para sempre. Porém era questão de tempo até que a demanda retome.

E não deu outra....em Agosto a categoria de alimentos apresentava aumento de 8% no ano, nos preços.

Geralmente as pessoas caem nas armadilhas do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O IPCA é composto por diversos elementos.

Portanto, quem olhasse para o IPCA em agosto veria o índice em 2%, e poderia pensar que a inflação estava baixa. E de fato, muitas pessoas disseram que o a inflação estava baixa pois o IPCA estava baixo.

Porém, quem fosse um pouco mais além e abrisse o índice IPCA por dentro, veria que ele estava baixo pois a categoria de “Transportes” estava caindo 50%, e consequentemente, puxando o índice para baixo.

Porém, isso ocorreu pois ninguém mais estava viajando. Já a categoria de alimentos, como dissemos, subia 8%.

Ou seja, o que você não podia usar (transportes) caia de preço, e o que você precisava usar (alimentos) subia de preço.

Taxa de juros

Eis um elemento que pouca gente entende: a taxa de juros.

O que é a taxa de juros? Os juros é o prêmio futuro para se abster do consumo imediato.

A abordagem da Escola Austríaca de Economia

De acordo com a Escola Austríaca de Economia, a taxa de juros é o preço do tempo. Ela depende da preferência temporal das pessoas.

Ou seja, as pessoas estão dispostas a economizar mais dinheiro agora para gastá-lo no futuro? Ou, pelo contrário, elas estão mais interessadas a gastar seu dinheiro agora e deixar a poupança para o futuro?

Se as pessoas estão dispostas a gastar mais agora, então a preferência temporal é alta, e naturalmente o mercado vai colocar juros mais altos.

Se as pessoas estão dispostas a poupar mais agora, a preferência temporal é baixa. Portanto, o mercado naturalmente colocará uma taxa de juros mais baixa, para estimular o consumo e os investimentos.

Essa abordagem da Escola Austríaca de Economia descreve o que aconteceria numa sociedade puramente gerida pelo livre mercado.

Mas no caso da sociedade na qual vivemos, a taxa de juros não é determinada pelo livre mercado, e sim controlada pelo Banco Central.

Escola austríaca de economia

A abordagem da sociedade atual

O Banco Central dos Estados-Unidos, o Federal Reserve, bem como vários outros bancos centrais do mundo, reduziram os juros a perto de zero.

Isso foi uma tentativa frustrada de estimular o consumo e reduzir as próprias dívidas dos países.

Isso cria uma série de problemas sistêmicos que vão desde a migração de investimentos de renda fixa para renda variável, como criação de projetos não saudáveis. Mas não falaremos disso agora.

Vamos falar da taxa de juros brasileira. O BACEN (Banco Central do Brasil) reduziu os juros a 2%, um nível historicamente baixo para o Brasil.

Porém, será que isso é bom?

Juros de 2 dígitos é algo ruim, mas uma taxa de juros artificialmente baixa também é ruim.

Geralmente, os Estados Unidos tem taxa de juros de 2%. Não faz sentido o Brasil, com todos os seus riscos, ter uma taxa de juros de 2%.

E com todos os programas de estímulo, o rombo fiscal do Brasil aumentou, e sua situação fiscal ficou ainda mais delicada.

A dívida/PIB do Brasil passará dos 100% em 2020. Existe um grande risco do país não conseguir pagar a sua dívida, o que gerou problemas nos títulos públicos do Tesouro Direto.

No segundo trimestre de 2020 começamos a ver problemas de deságio no Tesouro Selic, o que sinaliza que o mercado demanda um prêmio maior para financiar o Brasil. O mercado estava rejeitando os títulos do Tesouro Selic.

A taxa de juros brasileira está fora do lugar, ela não corresponde ao risco Brasil, e portanto em algum momento será necessário que ela seja elevada.

A alta das bolsas

Um dos efeitos da redução artificial da taxa de juros é que as pessoas acham que agora não é interessante alocar dinheiro em renda fixa.

O rendimento da maioria dos títulos de renda fixa no mundo está negativo, ou perto de zero.

Sim, isso quer dizer que se você alocar seu dinheiro em renda fixa, no ano que vem você não terá obtido nenhum lucro. E mais ainda, é possível que você perca dinheiro.

Isso é verdade para o Tesouro Selic também.

Muitas pessoas que antes tinham seu dinheiro guardado no banco ou em títulos públicos se veem forçadas a ir atrás de risco para obter rendimento.

Isso gera uma grande migração de dinheiro da renda fixa para a renda variável, o que gerou uma grande alta nas bolsas.

As bolsas americanas, por exemplo, estão fazendo nova máxima histórica, enquanto a bolsa brasileira está voltando ao seu topo.

Outro ponto é que quando a taxa de juros é reduzida, isso aumenta o valor presente de ações, o que favorece um movimento de apreciação de preço.

Ou seja, nesse momento, uma grande parte das pessoas que estão investindo na bolsa não faz ideia do que está fazendo.

Essas pessoas estão simplesmente atrás de rendimento. Elas não estão preparadas para uma queda de preços.

Mercado de ações

O ressurgimento do Bitcoin

Outra classe de ativos que deu o que falar foi a parte de criptomoedas, e mais especificamente Bitcoin.

O Bitcoin foi inventado em 2008, portanto é a classe de ativos mais recente dentre as tradicionais. Ele é bastante comparado como uma potencial reserva de valor, sendo considerado o ouro digital.

O Bitcoin viu sua cotação subir de 6 mil dólares para 19 mil em questão de alguns meses.

Embora muitas pessoas da escola de investimentos mais tradicional como Ray Dalio, Warren Buffet, etc. vejam o Bitcoin como um ativo especulativo e sem valor, outros pensam diferente.

Investidores como Paul Tudor Jones tem se mostrado grandes entusiastas do Bitcoin, principalmente num cenário macroeconômico onde os governos continuam imprimindo cada vez mais dinheiro.

O mercado de Opções

Outro mercado que tem ganhado interesse por parte dos investidores é o mercado de derivativos.

As Opções tem tido mais aderência, pois muita gente que tem pouco dinheiro se sente atraída pelas possibilidades de ganho de dinheiro.

Porém, é importante ressaltar que possibilidade é diferente de certeza.

O mercado de Opções é muito poderoso! Mas você precisa saber o que está fazendo, caso contrário, pode se prejudicar.

A melhor forma de aprender sobre Opções é com os conteúdos do OpLab.

O OpLab é a melhor plataforma de Opções aqui no Brasil.

Conclusão

As nações estão cada vez mais endividadas, com déficits trilionários cada vez maiores. É possível que em algum momento o mundo precise estabelecer uma nova forma de funcionar.

A consequência de tudo isso é que os governos e os bancos centrais tomam medidas cada vez mais drásticas, o que distorce cada vez mais os preços dos ativos.

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